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Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque” – Memorial: relembre as mulheres homenageadas

Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Heleieth

Heleieth Iara Bongiovani Saffioti (1934-2010) nasceu em Ibirá (SP) em 04 de janeiro de 1934. Graduou-se em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) em 1960.  Suas primeiras pesquisas sobre a condição feminina datam desta década. Elas foram o material utilizado na construção da sua tese de livre-docente defendida, em 1967, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), orientada pelo professor Florestan Fernandes. Este trabalho foi uma sólida contribuição ao estudo da posição da mulher na sociedade, e das representações a que dá lugar. Esta tese foi publicada pela Editora Vozes, em 1976 com o título de A Mulher na Sociedade de Classes ¿ Mito e Realidade. O livro não separa o problema da mulher dos problemas gerais da sociedade, mostrando de forma particular as relações entre a posição da mulher e o capitalismo. Com a análise da condição da mulher no Brasil, este projeto, nas palavras de Antônio Cândido de Mello e Souza no prefácio da edição de 1976, foi qualificado como ambicioso e complexo, mas executado com rara mestria. A efervescência do movimento de mulheres nos anos setenta transformaram este livro em um bestseller e a professora Heleieth, então regente da cadeira de Sociologia na UNESP, numa referência nacional para os estudos feministas. Sua trajetória intelectual, ao longo das últimas décadas, como agitadora no meio acadêmico da temática da condição feminina numa perspectiva marxista, levou-a, assim, das salas de aula de Araraquara, onde era professora titular da UNESP, para todo o Brasil, participando de seminários, congressos, orientando dissertações de mestrado e doutorado, tornando-se uma das mais prestigiadas pesquisadoras sobre a questão de gênero no Brasil. Assim, Heleieth tornou-se pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) junto ao Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), professora participante da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professora visitante na Faculdade Serviço Social da UFRJ. Em 1995, Heleieth foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, juntamente com outras 51 brasileiras.

Casou-se com o químico Waldemar Saffioti e teve um filho. Faleceu no dia 13 dezembro de 2010, na cidade de São Paulo (SP).

Principais Obras: Profissionalização feminina: professoras primárias e operárias (1969); A Mulher na Sociedade de Classe ¿ Mito e Realidade, Petrópolis, Editora Vozes, 1976¿ teve várias edições; Emprego Doméstico e Capitalismo, Petrópolis, Editora Vozes, 1978; Do artesanal ao industrial: a exploração da mulher(1981); O fardo das trabalhadoras rurais (1983); Mulher Brasileira: Opressão e Exploração, Rio de Janeiro, Editora Achimé, 1984; Poder do Macho, Editora Moderna, 1987; Mulher Brasileira é Assim(1994); Violência de gênero: poder e impotência(1995). Publicou ainda diversos artigos em periódicos nacionais e estrangeiros.

Fonte:

http://www.cnpq.br/web/guest/pioneiras-view/-/journal_ content/56_INSTANCE_a6MO/10157/1144214

O PRÊMIO

Instituído através do Decreto Legislativo nº 752/11 e posteriormente normatizado pelo Decreto nº 777/11, o Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque” homenageia mulheres que tenham se destacado profissionalmente e/ou prestado relevantes trabalhos na área social, com o objetivo de valorizar a mulher no contexto da cidadania.

PREMIADAS

  • 1º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Foi concedido através do Ato nº 011/2012 à Professora Doutora CLARA PECHMANN MENDONÇA.

1 A Premio Heleieth Saffioti

Filha de Jacob Pechmann R’Hmer e Rosa Shanemfeler, imigrantes austríacos que vieram para o Brasil após a Primeira Guerra Mundial, em 1924.

Nascida em nosso país, viveu os primeiros meses na cidade de São Paulo, mudando-se para São José do Rio Preto em 1926 e lá permanecendo por 20 anos. Em 1946 mudou-se para Araraquara a fim de graduar-se no curso de Farmácia da UNESP e aqui construiu sua trajetória profissional e social nos campos da saúde, da educação e da pesquisa.

Casada com Dimas Mendes Mendonça, mãe de Gisela e Paulo Eduardo e avó de Natália, Clara e José Eduardo.

Doutora em Microbiologia e especialista em Análises Químico-biológicas e Análises Clínicas, cooperou na Campanha Estadual de Erradicação da Malária nos anos de 1950 a 1973.

Professora titular do Departamento de Ciências Biológicas, área de Microbiologia e Imunologia, também exerceu chefia nos Laboratórios de Análises Clínicas da Santa Casa de Misericórdia de Araraquara e da Beneficência Portuguesa de Araraquara.

Colaboradora do GASPA, destacou-se, principalmente, por sua atuação no auxílio aos portadores de HIV, assim como no combate e na prevenção da doença.

Em 1997, recebeu da Câmara o título de “Honra ao Mérito” e em 2002 recebeu o título de “Cidadã Araraquarense”.

 

  • 2º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Foi concedido através do Ato nº 033/2013 à professora doutora LEIKO WAKIMOTO HANAI.

2 Premio Heleieth Saffioti

Leiko nasceu no dia 1º de setembro de 1940 na cidade de Duartina – Estado de São Paulo, onde estudou o primário e o ginásio em uma escola estadual. Posteriormente mudou-se para Bauru a fim de cursar o Científico.

Em 1960, mudou-se para Araraquara para estudar na Faculdade de Farmácia até se formar em 1963. Neste período, para ajudar nas despesas de aluguel e para se manter, dava aulas particulares e no cursinho.

Depois de formada em 1964, tornou-se docente da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Araraquara onde ministrou a disciplina de Química Inorgânica e Analítica.

Em 1966, casou-se com o araraquarense Frederico, filho de imigrantes japoneses donos do bar do Hanai na rua 3, ao lado da praça da Esplanada, famosa pelo ponto de encontro de jovens e pelo footing.

Tornou-se doutora em Ciências em fevereiro de 1969, ano também em que teve o primeiro dos seus três filhos.

Em 1977 passou a lecionar na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP, quando o instituto tornou-se parte desta universidade. Na ocasião começou a ministrar a disciplina de Controle Químico de Fármacos e Medicamentos.

Prestou serviços para esta universidade até o início da década de 90, quando se aposentou e começou a participar de atividades de voluntariado da Casa da Amizade dos Rotary’s Oeste e Carmo.

Em 2001 começou a atuar também como diretora cultural da Associação Nipo-Brasileira de Araraquara, cargo ocupado durante a gestão dos presidentes Tatsuko Sakima, Nelson Cuniyoshi e Yuri Nakano. Neste período foi também coordenadora do grupo das laboriosas, formado por mulheres que desenvolvem trabalhos manuais que são usados como brindes para o bazar beneficente do clube cuja renda é doada a entidades da cidade. Undokai (competição esportiva), Keirokai (festa em homenagem aos idosos), noite do sukiaki, bingos beneficentes, aulas de taiko, Tabanabata Matsuri são algumas das atividades fruto do seu trabalho como gestora cultural e preservadora da cultura nipônica.

Em 2008, recebeu da Câmara o título de “Cidadã Araraquarense” e no ano seguinte tornou-se membro do Conselho do Fundo Social da Prefeitura do Município de Araraquara.

  • 3º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Foi concedido através do Ato nº 023/2014 à senhora MARIA LUCIA DE OLIVEIRA GIL.

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Maria Lúcia de Oliveira Gil é natural de Minas Gerais, da cidade de Pimhui, graduada em administração de empresas pela UNAERP – Ribeirão Preto e possui formação na área de dependência química.

Casada com Milton Carmona Gil, mãe de três filhos.

É voluntária do Amor-Exigente há 20 anos e atualmente coordenadora regional de mais de 10 grupos de auto e mútua ajuda.

O Amor-Exigente é um programa que desenvolve preceitos para a organização da família através da espiritualidade e com a ajuda de seus voluntários. Atua há 30 anos no apoio e orientação aos familiares de dependentes químicos e também para pessoas com comportamento inadequado, sendo seu foco principal desestimular a experimentação, o uso e o abuso do tabaco, do álcool e de outras drogas, assim como a luta contra tudo o que torna os jovens vulneráveis, expostos à violência, ao crime, aos acidentes de trânsito e à corrupção em todas as suas formas.

Para Maria Lúcia de Oliveira Gil, “para que um trabalho na Prevenção tenha bons resultados é preciso unir forças – comunidade, família, escola, associações de bairros e entidades que trabalham no bem estar social. O 7º princípio ético vem trazer uma reflexão de que a união de todos é fundamentada no respeito e na fraternidade. Que a lealdade, a honestidade e a verdade são deveres de qualquer pessoa, especialmente dos voluntários do AE”.

A unidade do Amor-Exigente de Araraquara faz aproximadamente 120 atendimentos por semana e já efetuou nesses 20 anos aproximadamente 100 mil atendimentos em nossa cidade.

Em 2014, além do Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”, recebeu também o título de “Cidadã Araraquarense”.

 

  • 4º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Foi concedido através do Ato nº 014/2015 à senhora SILVIA PAULA VENDRAMIN BRUNETTI.

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Silvia Paula Vendramin Brunettil é natural de Araraquara, graduada em Psicologia pela UNESP/Assis com especialização em psicopedagogia.

Mãe de Ágatha Raíssa Brunetti De Paula, filha de Rudney Brunetti e Amelia Vendramin Brunetti.

Aprovada em concurso público, como psicóloga escolar em 1987, iniciou sua carreira na área da Educação desenvolvendo atividades com a equipe multiprofissional para a elaboração e implementação do Plano Municipal de Educação.

Por concurso interno, passou a ocupar o Cargo de Coordenadora Técnica da Secretaria Municipal de Educação, desenvolvendo atividades do Programa de Educação Infantil e Recreação.

Por 10 (dez) anos exerceu a função de Coordenadora Técnica do Programa de Educação Complementar.

A partir de 2003, como Coordenadora Técnica na Secretaria Municipal de Saúde, atuou na Equipe Matricial de Educação Permanente desenvolvendo várias atividades como cursos, palestras, seminários, conferências e eventos.

Em 2009, voltou à Secretaria Municipal de Educação exercendo a função de Gerente de Educação Complementar, permanecendo até fevereiro de 2014.

Como Secretária Municipal de Articulação Institucional e da Participação e Popular prestou apoio institucional e técnico nas áreas de Administração e Logística, Coordenadoria de Articulação Institucional, Assessoria para Pessoas com Deficiências, Assessoria para a Diversidade Sexual, Assessoria a Juventude, Coordenadoria Executiva Especial de Promoção da Igualdade Racial, Coordenadoria Executiva de Defesa da Mulher e Conselhos Municipais.

Desempenhou várias atividades voluntárias: participação como fundadora do Grupo de Apoio ao Menor de Araraquara; membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – Comcriar, apoio técnico no Centro de Promoção Educacional e Social na Comunidade – Ceproesc, participação no Conselho Municipal de Entorpecentes – COMEN, representante de pais e alunos no Conselho Municipal de Alimentação Escolar de Araraquara – COMAE, membro de comissão na Agência de Desenvolvimento de Araraquara – ADA, conselheira no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONDECA/SP, participação como fundadora do Instituto Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil – INPETI, entre outros.

Foi homenageada pelo  seu trabalho à frente de diversos departamentos da municipalidade, sua dedicação e apoio para a implantação de inúmeros projetos principalmente no que tange a melhoria na qualidade de vida das crianças.

  • 5º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Foi concedido através do Ato nº 012/2016 à senhora Maria Helena Rolfsen Moda Francisco Barbieri, conhecida por “Zi Barbieri”.

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Zi Barbieri é natural de Araraquara, graduada em Psicologia pela UNIP.

Casada com Marcelo Fortes Barbieri, mãe de Matheus e Caio e filha de Antônio e Lourdes.

Como presidente do Fundo de Solidariedade do município desde 05 de janeiro de 2009, a primeira-dama à frente do órgão vem realizando diversos trabalhos como a introdução dos cursos da construção civil, padaria artesanal, horta comunitária, escola da moda, escola do serralheiro, instalações de academias para a terceira idade e promoção dos jogos municipais do idosos, entre outras atividades.

Destaque especial são as campanhas do agasalho que abriram novas perspectivas com o conceito de “Roupa boa, a gente doa”, com ênfase na qualidade da peça doada e não na quantidade.

Foi homenageada pelo empenho e dedicação que exerce as suas atividades.

 

  • 6º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Foi concedido através do Ato nº 042/2017 à senhora Maria da Conceição Costa,  conhecida por “Irmã Edith Costa”.

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Irmã Edith é natural de Piracicaba, estudou na Escola de Artes.

Com seis anos e meio, quando estava sendo preparada pelas Irmãs Franciscanas para a 1ª Eucaristia, sentiu sua vocação religiosa.

Em 1949, aos 17 anos, entrou para o convento em Araraquara e em 1952 recebeu o hábito religioso e o nome Irmã Edith Costa.

Conhecida e admirada por seu intenso trabalho ao longo de 59 anos em transformar vidas, pioneira do Projeto de Educação para Adultos e Jovens de Araraquara (Proeaja), criado por ela em 1999, tendo como objetivo erradicar o analfabetismo em nosso município.

Foi homenageada por seu intenso trabalho em prol da alfabetização de crianças e adultos na cidade.

 

  • 7º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque”

Foi concedido através do Ato nº 006/2018 à senhora Helena Francisco da Silva, conhecida como “Helena da Acácia”.

 

Helena Francisco da Silva é natural de Ibaté, nascida numa usina de cana-de-açúcar, onde o pai trabalhava.

Ainda pequena, após um grave acidente doméstico ao acender um fogão a lenha, enfrentou sua primeira batalha para sobreviver ao acidente.

Mãe de cinco filhos: Taís, Tatiane, Rafael, Felipe e Almir. Avó de 12 netos.

Mulher de garra, sempre em busca de uma vida melhor, a cidadã araraquarense chegou a tirar o sustento da família do lixão até 2002.

Fundadora da Cooperativa Acácia, trabalha com cooperados, sendo na maioria mulheres, arrimos de família, que sustentam seus filhos pequenos.

Foi homenageada pela fibra, exemplo de luta, liderança e trabalho intenso em prol da construção de cidadania de pessoas que nunca foram reconhecidas.

 

 

Texto-matéria: Silvia Gustavo

Atualizado até abr/18

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