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Os cerca de dois mil motoristas que trabalham com os serviços de transporte de passageiros por aplicativo, na cidade de Araraquara, se sentem sufocados em suas atividades, já que os controladores cobram até 40% do valor recebido por corrida realizada. Com as seguidas altas nos preços dos combustíveis, custos para manutenção de seus carros e outras necessidades destes trabalhadores autônomos, a atividade está se tornando inviável. Isso tudo foi relatado em reunião no gabinete do prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), articulada pelo vereador Rafael de Angeli (PSDB), com diretores da Cooperativa dos Motoristas de Transporte Individual por Aplicativo (Coomappa).
O parlamentar é autor da Lei Municipal nº 9.261, que regulamentou, em 2018, o serviço de transporte privado individual de passageiros, como Uber e 99, como um divisor de águas no serviço de transporte de passageiros na cidade, gerando possibilidades para o empreendedorismo, além de oferecer um novo e prático serviço ao cidadão. Contudo, a situação econômica do país e outras necessidades pontuais, que começaram a surgir no cotidiano da prestação do serviço, levaram os cooperados, representando a categoria, a pedirem ajuda novamente a Angeli, para melhorar as condições de trabalho, além de buscar uma viabilidade econômica para se manterem e proporcionarem melhor condição de vida a suas famílias.
Segundo relatado no encontro, trabalhar neste serviço também é uma forma de lutar contra o desemprego, além de ser empreendedor. Porém, isso se tornou difícil e quase impossível, por conta dos altos custos dos combustíveis e da operação do sistema. O assunto tem sido abordado na imprensa da cidade, com diversas manifestações dos motoristas dos serviços.
Pontos de embarque
Entre as reivindicações está um ponto de apoio, ou seja, uma base para o serviço, com estrutura de banheiro e espaço para alimentação, condições que parecem ser simples, mas que, porém, se tornaram grandes dificuldades no cotidiano deles. Situação que pode ser resolvida pela Prefeitura, por meio da lei de incubadora de empresas, com o aluguel de um imóvel e a cessão de seu uso para a cooperativa. Pontos de embarque e desembarque na área central da cidade também são de fundamental importância para melhor acesso do passageiro. Segundo o prefeito, esta situação também pode ser resolvida, com um mapeamento destes espaços.
Aplicativo municipal
Já a melhor das possibilidades levantadas na reunião é o desenvolvimento de uma plataforma municipal, para uso compartilhado entre os serviços de transporte de passageiros e de entregadores, que também experimentam a mesma situação sufocante do alto percentual que pagam para os controladores dos aplicativos que utilizam. Em uma plataforma municipal, sem fins lucrativos, poderiam cobrar valores bem menores, apenas para custear o suporte de seu funcionamento.
Para o vereador Rafael de Angeli, o encontro foi muito produtivo e dá esperança a estes trabalhadores de terem melhores condições em suas atividades e de sustento de suas famílias. “Acompanhamos tudo desde o surgimento dos aplicativos de transporte e lutamos firmemente para essa modernidade se desenvolver em nossa cidade. Durante todo esse tempo, estamos criando diversas pontes entre a Prefeitura, os motoristas e os usuários para construirmos uma cidade melhor para todos.” As reivindicações apresentadas no encontro foram formalizadas em documentos, por meio das Indicações 3.597, 3.690 e 3.691/2021.
O prefeito Edinho Silva disse, na reunião, que tem plena consciência de que o poder público precisa ajudar em situações como esta. “Se organizar em cooperativa é lutar contra o desemprego. O município precisa fazer alguma coisa”, relatou.
Representando a cooperativa, participaram da reunião os diretores Milton Ferreira Luiz e Kátia Anello. Pela Prefeitura, o vice-prefeito e secretário municipal de Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Turismo, Damiano Neto (Progressistas), o chefe de gabinete, Alan Silva, a secretária de Governo, Planejamento e Finanças, Juliana Agatte, o coordenador de Mobilidade Urbana, Nilson Carneiro, além de Camila Capacle e Ana Patrícia Ferreira, respectivamente, coordenadora e gerente de Economia Criativa e Solidária.
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