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O esgotamento emocional que se origina nas pressões do trabalho não se limita ao ambiente profissional: transborda para a vida afetiva, interfere nas relações familiares e impacta a saúde pública. O burnout atravessa vínculos, fragiliza a convivência e é agravado por uma cultura que individualiza sofrimentos que deveriam ser enfrentados de forma compartilhada.
Esse é um resumo das reflexões apresentadas pela psicanalista e professora Thai Batistuti e pela psicóloga Juliana Superbi na palestra “Saúde Mental e Relações Saudáveis: como reconhecer sinais de desgaste emocional em relacionamentos familiares, amorosos e profissionais?”, realizada na noite desta quinta-feira (13) na Câmara Municipal.
A atividade encerrou a programação da Semana de Conscientização sobre a Síndrome de Burnout, instituída pela Lei Municipal nº 7.373/2010. O evento foi solicitado pela vereadora Fabi Virgílio (PT), com coorganização de Marcela Reis, ativista em saúde mental no trabalho e idealizadora do movimento (RE)Conecte-se.
Relações interpessoais
Thai Batistuti pontuou que o burnout começa, mas não termina, no trabalho. Segundo ela, o esgotamento provocado por pressões profissionais se espraia por toda a vida, afetando os diversos tipos de vínculo: afetivos, familiares, interpessoais e de amizade.
Ela observou que, ao chegar nesse nível de desgaste, a pessoa tende a experimentar distanciamento emocional, silenciamento, irritabilidade, impaciência e até queda de libido e afeto — sinais que frequentemente se manifestam primeiro nos relacionamentos mais próximos. “É um esgotamento geral do corpo e da mente, não apenas de uma área da vida”, declarou.
Thai reforçou que a recuperação envolve “a oportunidade de mudar”, em um processo de reconexão consigo e com o próprio ritmo. Entre os caminhos possíveis, citou a busca por apoio terapêutico, o reconhecimento das próprias limitações e, sobretudo, a permissão para descansar sem culpa. “Só conseguimos nos reconectar quando admitimos que não damos conta de tudo”, afirmou.
Missão coletiva
A psicóloga Juliana Superbi retomou os impactos que ganharam força desde a pandemia, quando trabalho remunerado, tarefas domésticas e cuidados familiares se concentraram dentro de casa — uma sobrecarga que, segundo ela, recaiu com mais intensidade sobre as mulheres.
Juliana apontou que, mesmo diante desse cenário de exaustão ampliada, persiste um padrão social que descredibiliza pessoas com burnout e outras formas de sofrimento mental. “Vivemos coletivamente, mas os problemas têm que ser resolvidos individualmente: é sempre cada um por si”, criticou, ao mencionar a cobrança por produtividade e resiliência a qualquer custo.
Para ela, ampliar a compreensão sobre saúde mental no trabalho exige deslocar o debate da culpabilização individual para a responsabilidade coletiva. “Precisamos criar a consciência de que estar saudável no ambiente de trabalho é uma missão coletiva”, concluiu.
Para ver e rever
A palestra foi transmitida ao vivo e pode ser revista no YouTube e no Facebook.
Na segunda-feira (10), Audiência Pública sobre a relação entre capitalismo e saúde mental, dentro da programação da Semana, havia sido realizada na Câmara.
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