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Quem imaginava que o ex-coordenador da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Ademir Palhares, o Mimi, preso em agosto do ano passado com Ronaldo Napeloso, lançaria para a Comissão Especial de Inquérito (CEI) uma série de acusações saiu frustrado.
Mostrando diversos documentos e acompanhado de um advogado, o engenheiro falou por sete horas e respondendo a mais de 50 perguntas negou pedidos de propina e isentou de qualquer ato ilícito o presidente da Câmara, João Farias (PRB) e outros parlamentares citados no depoimento da sua ex-secretária Adriana Célia Dias. Para Ademir Palhares, o último contato com João Farias foi sobre um projeto com falhas na casa do seu irmão. A conversa, segundo Mimi, foi técnica explicando que o documento continha oito falhas facilmente corrigidas. Ele negou que o presidente da Câmara ou algum assessor ligado a ele tenha solicitado a aprovação de um projeto irregular. Isso também se estendeu a todos os outros parlamentares. Na sua visão, Adriana se confundiu. “Isso não aconteceu e eu nunca aprovaria nada que não pudesse.” Sobre uma gravação divulgada pela imprensa em que o ex-coordenador diz que João Farias e Napeloso só pensariam em dinheiro, de acordo com Ademir Palhares, tudo não passou de um momento seu de descontrole emocional. Em depoimento à CEI, ele afirma nunca ter sido pressionado pelo presidente da Câmara e justificou como uma frase mal colocada de que os políticos estavam pensando em mais poder no futuro. “Falei no calor da emoção.”
Rebatendo a versão de sua ex-secretária e amiga há três décadas, Mimi afirmou ter conversado no telefone sabendo que estava sendo ouvido por agentes federais e negou ter citado o nome do presidente da Câmara de maneira proposital para prejudicá-lo. Ele ainda negou que projetos da atual chefe do Desenvolvimento Urbano, Alessandra Lima, eram aprovados no mesmo dia, conforme Adriana denunciou no fim do ano passado. O ex-coordenador do Desenvolvimento Urbano, que entrou na pasta em janeiro de 2009 e deixou a função em agosto do ano passado, falou sobre o funcionamento da Secretaria, comentou de obras apontadas durante os depoimentos da CEI como irregulares e admitiu que se existe uma falha ela é de fiscalização. Para ele, é impossível que três fiscais vistoriem as milhares de obras espalhadas pelo município. Além disso, Mimi admitiu ter realizado projetos particulares enquanto coordenador e ter recebido dinheiro de honorários dentro da Prefeitura. Na sua opinião, não há nada de ilícito nesta prática. Em depoimento, afirmou ainda nunca ter usado carro oficial e que o computador portátil usado por ele foi presente de um empresário como prova da amizade entre ambos e não como uma forma de propina, conforme declarado em depoimento à CEI. Declarou ainda ter sido exonerado depois de uma denúncia infundada feita contra ele.
Em novembro do ano passado, em depoimento à CEI, o empresário Leônidas do Nascimento Costa, dono da Léo Fibras, disse ter sido coagido pelo ex-coordenador a pagar R$ 15 mil por um projeto técnico em um terreno doado pela Prefeitura. Mimi dá outra versão. Segundo ele, o empresário o procurou para que ele executasse um trabalho particular e o preço foi definido com base em uma tabela definida pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea).
Histórico
A apuração de suspeitas de desvios de recursos públicos, esquemas de cobrança de propina para a concessão de áreas e aprovação de projetos em três secretarias municipais foi prorrogada até 15 de fevereiro. A CEI foi instituída em 11 de setembro de 2013 para investigar suspeitas no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf); e, nas Secretarias Municipais de Agricultura, Ciência, Tecnologia, Turismo e Desenvolvimento Sustentável, e Desenvolvimento Urbano. Até o momento foram colhidos 35 depoimentos de empresários, secretários e ex-secretários e coordenadores e ex-coordenadores e servidores municipais. Os vereadores realizaram 88 visitas a áreas doadas e constataram a existência de 160 mil metros quadrados sendo utilizados com desvio de função.
Além de Simioni, que preside a Comissão, ela é composta pelo relator Aluisio Braz, o Boi, (PMDB) e tem como integrantes os vereadores Edna Martins (PV), Dr. Helder (PPS) e Geicy Sabonete (PSDB).
No depoimento ainda estiveram presentes os vereadores Adilson Vital (PV), Gabriela Palombo (PT), Rodrigo Buchechinha (SDD) e Roberval Fraiz (PMDB).
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