Notícias



Políticas de combate à violência contra crianças e adolescentes são debatidas na Câmara

Evento na noite da quinta-feira (18) reuniu autoridades do município, instituições e população no Plenário da Casa de Leis

2564


Vereadores, representantes da Prefeitura, instituições, pesquisadores e sociedade em geral participaram de Audiência Pública da Câmara Municipal, na noite da quinta-feira (18), para debater políticas de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes em Araraquara.

 

Os autores do requerimento de convocação da Audiência Pública foram a vereadora Luna Meyer (PDT) e os vereadores João Clemente (PSDB) e Alcindo Sabino (PT), que compuseram a mesa de condução dos trabalhos.

 

Os principais encaminhamentos da audiência, sugeridos pelos vereadores e pelo público presente, foram a criação de uma assessoria exclusiva para crianças e adolescentes (desmembrada da atual assessoria para a juventude) e a implantação de um Centro de Referência da Criança e do Adolescente — as demandas serão levadas à Prefeitura. A abertura de uma terceira unidade do Conselho Tutelar em 2027 também será proposta — o próximo mandato, 2024-2027, já está com processo de eleição aberto.

 

Outras sugestões são a institucionalização dos dias 18 de maio (Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes) e 25 de maio (Dia Internacional das Crianças Desaparecidas) no Calendário Oficial de Eventos do Município de Araraquara.

 

Além disso, os parlamentares afirmaram que irão apurar quais as medidas da Diretoria Regional de Ensino em relação a esse tema, já que o órgão não esteve representado na audiência, e também irão fiscalizar qual política é realizada no município em relação ao atendimento aos agressores das vítimas, para que não haja reincidência das ocorrências.

 

“O combate às violências, como um todo, não é dever apenas do político, do servidor. É de todos. Se todos nós estivermos cientes dos protocolos, a gente vira uma rede mais forte e consegue um resultado muito mais positivo”, afirmou Luna.

 

Alcindo destacou que, na maioria dos casos, as ocorrências são registradas dentro de casa, com pessoas próximas. “É uma coisa que a gente tem que trabalhar, e muito, para a pessoa quebrar esse tabu e denunciar”, declarou.

 

Já Clemente ressaltou que as políticas públicas devem chegar até o cidadão. “Minha preocupação hoje, enquanto vereador, é que isso possa ter acesso. O protocolo é praticamente perfeito, atinge um arcabouço de garantia de direitos belíssimo, mas desde que chegue até a população”, opinou o parlamentar.

 

Apresentações

O conselheiro Márcio Servino apresentou o trabalho realizado pelas duas unidades do Conselho Tutelar e alguns dados sobre os casos de violência contra crianças e adolescentes. As ocorrências aumentaram nos últimos anos: foram 31 registros de suspeitas de abuso sexual em 2020, 35 em 2021 e 48 em 2022.

 

“E isso é apenas a ‘ponta do iceberg’. É o que a gente sabe. Essas são as crianças que tiveram uma família que as conduziram até um atendimento em uma delegacia, em um órgão de saúde. E os milhares de crianças que foram abusadas e não tiveram esse boletim? Estão nas ruas, estão em casa”, disse.

 

A coordenadora da Escola de Governo do Município de Araraquara, Celina Garrido, detalhou informações do e-book “Orientações Técnicas para o Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes no Município de Araraquara”, lançado pela Prefeitura na quinta-feira.

 

“O e-book traz orientações técnicas para que profissionais da rede entendam o caminho que devem fazer quando identificam uma situação de violação de direito contra criança e adolescente. Está no site da Prefeitura aberto para todos os que quiserem consultá-lo”, explicou.

 

Gestora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Girassóis, Mônica Favoreto apresentou o trabalho da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, incluindo também as unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) dos bairros. Os casos de média e alta complexidade são atendidos pelo Creas.

 

“A gente faz o acolhimento para entender essa família e trabalhar em articulação com a rede para que essa violação de direitos seja superada, que a família entenda a gravidade e as consequências dessa situação”, relatou.

 

A grande maioria de casos envolve meninas, relata Mônica. De 147 crianças que deram entrada no Creas em 2022, 80 eram por abuso sexual, sendo 69 do sexo feminino. “A gente vive em uma sociedade machista. Entende-se que a mulher não tem direito ao próprio corpo.”

 

A pedagoga Ana Magnani, mestre em Educação e pesquisadora, há oito anos, das violências vivenciadas pelas crianças e pelos adolescentes, também levou seu depoimento à Audiência Pública. Em suas pesquisas, ela chegou a ouvir uma menina de 10 anos de idade relatar uma ‘tabela de preços’ para relações sexuais.

 

A especialista também apontou uma subnotificação de casos de abusos sexuais contra meninos, que não denunciam por vergonha da sociedade. “Não há encaminhamento das famílias, em grande parte. De quem nós ouvimos isso? Dos homens que foram abusados na infância”, informou.

 

Ana ainda afirmou que muitas crianças são induzidas a ‘naturalizarem’ os abusos. “Temos pessoas adultas hoje nos contando que os seus abusadores diziam a elas: ‘você é minha para ser usada primeiro’. E o que essas crianças relatam na fase adulta? ‘Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, porque foi uma pessoa que me conquistou, de relação muito próxima, e que eu achava que me amava’. Então, essas denúncias não chegam”, disse a pedagoga, que defendeu a educação sexual nas escolas como forma de informar e conscientizar.

 

Valquíria Maria do Amaral, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comcriar), parabenizou o Legislativo pela iniciativa. “Eu me alegro muito de estar aqui nesta discussão vendo os diversos setores envolvidos dialogando. A resposta não está com uma pessoa só. Está com todos”, opinou.

 

Ainda estiveram presentes na Audiência Pública a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Rita de Cássia Ferreira, também representando a Secretaria Municipal da Educação; a comandante da Guarda Civil Municipal, Juliana Zaccaro; a gestora do Centro Municipal de Referência do Autismo, Karina Maia; Patrícia Marchetto e Lui Carvalho, representando a Rede Protetiva e de Prevenção ao Desaparecimento de Crianças da Unesp Araraquara; e o advogado e ex-vereador Flávio Haddad.

 

A Audiência Pública foi transmitida ao vivo pela TV Câmara de Araraquara e continua disponível para visualização no Facebook e no YouTube.


Publicado em: 19 de maio de 2023

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Agenda Cultural – 30/01

30 de janeiro de 2026

Dança Danças de Pernambuco que unem o brincar ao ritmo e à resistência. Entre passos vibrantes, cantos, jogos corporais e musicalidade, as aulas promovem vivências coletivas que valorizam a tradiç...



Agenda Esportiva – 30/01

30 de janeiro de 2026

Futebol Pela 7ª rodada do Campeonato Paulista da Série A2, a Ferroviária recebe o São Bento no domingo (1), às 18 horas, na Fonte Luminosa. O jogo terá transmissão ao vivo no canal do YouTube Metr...



Câmara entrega Título de Cidadão Araraquarense ao empresário José Eduardo Delfini

30 de janeiro de 2026

  Uma Sessão Solene realizada pela Câmara Municipal na noite de quinta-feira (29) homenageou José Eduardo Delfini com o Título de Cidadão Araraquarense. A honraria foi entregue por Alcindo Sabino...



Consulta Sisu

30 de janeiro de 2026

Os candidatos inscritos no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 já podem consultar o resultado individual da chamada regular, disponível no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, do Ministé...



Sites de apostas (30/01)

30 de janeiro de 2026

A ferramenta de autoexclusão de sites de apostas é um serviço gratuito do Governo Federal criado para ajudar quem precisa se afastar dos jogos e retomar o controle da própria vida. Por meio desse s...



Denúncias de maus-tratos

30 de janeiro de 2026

O Governo do Estado de São Paulo disponibiliza um serviço online exclusivo para o registro de denúncias de maus-tratos contra animais. A acusação pode ser realizada de forma anônima por meio da Del...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!