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“Essa mudança de só entrar pela frente do ônibus está ruim. Não tem lugar para todo mundo – pessoas acima de 65 anos e passageiros mais jovens - e eu que estou um pouco melhor fico em pé para que outros idosos possam sentar”, diz o aposentado José Leandro Neto, de 66 anos, usuário da linha do Quitandinha. Questionamentos como esses se tornaram comuns após a Companhia Troleibus de Araraquara (CTA) e Viação Paraty definirem o embarque e desembarque de idosos somente pela porta dianteira. Antes, usava-se a entradas lateral e traseira. “Os assentos sinalizados devem ser respeitados pelos outros passageiros com a reserva de 10% dos lugares, mas o que será feito se o número for maior em relação as cadeiras disponíveis”, questiona o vereador Édio Lopes (PT) depois de conversar com idosos e motoristas. “Praticamente todos reclamam e não entendem porque alterar o que dava certo.” Por isso, o parlamentar apresentou na Sessão desta terça-feira, dia 21, uma indicação à Prefeitura e às empresas pedindo a retomada imediata do acesso pelas demais portas. “A Lei Federal 10.048, em vigor há 15 anos, deixa claro: idosos, gestantes, lactantes, portadoras de deficiências e pessoas acompanhadas por crianças de colo possuem assento preferencial. O número de lugares na parte frontal dos ônibus é insuficiente para o contingente e arriscado porque dificulta a locomoção e aumenta o risco de queda”, destaca Édio Lopes, que aguardará resposta das empresas. A CTA, por exemplo, administra 80% das linhas e, segundo o balanço do primeiro trimestre, transportou 840 mil passageiros por mês. Em nota publicada no site oficial, a CTA defende a medida para “aumentar a segurança dos idosos devido ao risco existente na utilização das outras portas.” E justifica a mudança citando “vários casos de pequenos acidentes envolvendo idosos que entravam e saiam pelas portas do meio e dos fundos dos ônibus.” De acordo com o vereador, as empresas não explicam qual o número de passageiros com essas características são transportados e se a alteração contou com a participação dos insatisfeitos usuários do transporte coletivo. “Estou com 71 anos e ainda tenho problema na perna. Quando podia entrar pela porta de trás era melhor” revela a aposentada Jacira Gomes Revolt. “Não tem lugar para todos. Se continuar assim vamos precisar sentar no colo do motorista”, brinca o aposentado Deoclides Rocha Dantas, 77. Atualmente, Araraquara tem 36 linhas de ônibus, sendo 28 administrada pelas CTA e sete pela Viação Paraty. “Independente das medidas a serem adotadas no futuro, os passageiros idosos não podem continuar a serem penalizados”, enfatiza Lopes.
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