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Saúde apresenta informações sobre protocolos, capacitação e fluxos de atendimento do Caps-AD

Questionamentos foram feitos pelo vereador Enfermeiro Delmiran (PL)

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No início de agosto, o vereador Enfermeiro Delmiran (PL) encaminhou um Requerimento à Prefeitura solicitando informações sobre protocolos, capacitação e fluxos de atendimento do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas “Dr. Calil Buainain” (Caps-AD), no Jardim Santa Angelina.

 

No entendimento do parlamentar, o Caps-AD desempenha papel essencial no atendimento de pessoas com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. “O recente crescimento da dependência relacionada a jogos de apostas e eletrônicos, fenômeno reconhecido nacionalmente como uma nova demanda de saúde mental, requer atualização de protocolos e capacitação específica para o manejo clínico”, avalia.

 

Delmiran destaca ainda que, após a pandemia de Covid-19, houve alterações significativas no perfil dos pacientes atendidos nos serviços de saúde mental, exigindo adaptação de protocolos e fluxos para novas demandas. “Segundo relatos de profissionais e usuários, existe uma demanda reprimida para internações psiquiátricas, resultando em pacientes permanecendo até 6 dias na UPA aguardando vaga para internação.”

 

Para o vereador, é importante a integração entre Caps-AD, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Guarda Civil Municipal (GCM), Polícia Militar (PM) e demais setores da saúde no manejo de situações de crise, especialmente quando há risco à segurança de pacientes, familiares e da equipe de atendimento.

 

Em resposta, a Secretaria Municipal da Saúde explica que o número de casos de Ludopatia, condição médica caracterizada pela compulsão por jogos de azar, tem tido um crescimento exponencial em nível nacional, e a recomendação do Ministério da Saúde é que pessoas com sinais de dependência busquem as unidades do Caps-AD, onde o tratamento da Ludopatia é oferecido.

 

“Tendo como premissa que o Caps-AD realiza o atendimento de pessoas que apresentam intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de álcool e outras drogas, a equipe multidisciplinar possui expertise e capacidade técnica para se utilizar da metodologia baseada em evidências para o cuidado dessa demanda. Porém, assim como toda a especificidade atendida, nesse caso, também é necessário reciclagem e educação continuada com a equipe. Para isso, em busca de aprimorarmos o conhecimento, estamos buscando junto à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo capacitações para o tema, assim como definindo propostas internas, dentre elas grupos de estudo dentro das reuniões de equipe e grupos de família e terapêuticos homogêneos”, informa a pasta.

 

Pós-pandemia

 

A Secretaria afirma que, atualmente, o paciente, quando busca o atendimento no Caps-AD, seja de forma espontânea ou quando é referenciado pela Rede de Atenção Psicossocial do município de Araraquara (Raps), passa por um acolhimento técnico onde é colhido seu histórico clínico/queixa, e logo é encaminhado para atendimentos específicos, como:

 

- Triagem: avaliação e elaboração de um plano de tratamento individualizado para cada paciente, levando em conta suas necessidades, histórico, contexto social e familiar;

- Atendimento médico psiquiátrico e clínico;

- Acompanhamento técnico: quando ocorre o monitoramento regular do paciente, com consultas individuais e em grupo, oficinas terapêuticas, oficinas culturais (percussão, aromaterapia e desenho) e dispensação de medicamentos;

- Grupos de família: orientações sobre manejo e acolhimento do sofrimento pela codependência familiar.

 

Segundo a pasta, não é possível afirmar quantitativamente se a pandemia gerou uma intensificação do padrão de uso SPA (substâncias psicoativas), mas é sabido que a busca por tratamento para dependência química tem aumentado, como nos anos anteriores. “Com isso, não se fizeram necessárias mudanças nos protocolos atuais para a demanda específica de pós-pandemia. Cabe salientar que nesse ano tivemos a contratação de alguns cargos técnicos que estavam faltando, como técnicos de enfermagem, por exemplo.”

 

Tempo de espera para internação

 

A Secretaria detalha que leitos psiquiátricos são os leitos de saúde mental que são alocados em enfermaria especializada de hospitais gerais, visando aos cuidados hospitalares em situações de urgência e emergência por uso ou abstinência de álcool e outras drogas. “Os pacientes que são avaliados pela equipe do Caps-AD e que necessitam de internação breve em leitos de saúde mental são referenciados pelo profissional à equipe de assistência social das UPAs, discutindo o caso e fazendo o matriciamento quando necessário.”

 

Ainda de acordo com a pasta, após o acolhimento em hospital geral, é feito um acompanhamento do caso junto com a família, com reuniões e articulação com a Secretaria de Transportes para remoção após alta, mantendo pactuado pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) 3 a Alta Responsável, quando a unidade hospitalar encaminha a ficha do paciente com a data prevista de alta, e logo são passados todos os agendamentos no Caps-AD para que o paciente dê continuidade ao tratamento.

 

Sobre o tempo médio de espera desse fluxo, a Secretaria diz que não tem como responder, uma vez que existe a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), sistema do Estado de São Paulo que organiza e distribui o acesso a serviços de saúde, como internações, priorizando a urgência e gravidade de cada caso.

 

“O Caps-AD tem buscado realizar, através de reuniões presenciais e grupos de WhatsApp com UPA, Samu e consultório de rua, o matriciamento e a articulação de casos que buscam diretamente os serviços de urgência e emergência, sem a avaliação técnica na equipe”, pontua.

 

Reforça ainda que cabe à Cross a liberação da vaga, portanto, quanto ao número de casos com permanência superior a 72 horas dos últimos 12 meses, compete aos serviços de urgência e emergência do município e à DRS 3 fornecer.

 

Protocolo para crises com agressividade

 

A Secretaria explica que um dos critérios para internação em saúde mental é o risco de auto e heteroagressividade, e na situação de pacientes dependentes químicos em surto não é diferente. Existem protocolos que determinam qual é a unidade responsável pela contenção e o manejo de cada situação (Samu, GCM ou UPA).

 

No que diz respeito ao Caps-AD, no caso de pacientes acompanhados por essa unidade em que familiares trazem o conhecimento da situação, é fornecido um relatório com histórico do paciente para a família, que apresenta o documento ao Samu/GCM e, concomitante a remoção, é feita ligação telefônica para a gestão do Samu e a assistência social da UPA, informando o caso. “Além disso, o Caps-AD fornece, em seu cardápio de atividades, os grupos de família, que têm entre seus objetivos também a orientação para o manejo de crises. Isso acaba capacitando o responsável/familiar a adotar a postura mais coerente para o momento.”

 

No documento de resposta, o Executivo inclui ainda vários anexos, como o fluxograma interno do Caps-AD.

 

Na avaliação do vereador, o Caps-AD realiza um trabalho de grande relevância na cidade. “Contudo, identificamos um déficit importante e a necessidade imediata da criação de um pronto-socorro psicológico, que poderia desafogar as UPAs, já que estas vêm recebendo muitos pacientes em crise e não possuem estrutura adequada para esse tipo de atendimento. Além disso, reforço a importância de Araraquara contar com um Caps III, uma vez que a demanda por atendimento em saúde mental cresce a cada dia.”


Publicado em: 29 de agosto de 2025

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Categoria: Câmara

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