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Edna Martins*
Não sou a favor do aborto. Sou mãe. Fui mãe muito jovem e, acreditem, com muitas dificuldades. Com toda imaturidade de uma menina de dezoito anos. Escolhi ser mãe, lutei por meu filho. Tenho dois filhos lindos, os tive de parto natural, amamentei, cuidei de todos os detalhes do umbigo, da alimentação até cortar o medo para andar. Aprendi com minha mãe e achei maravilhoso.
Agradeço todo dia a graça de ter os filhos que tenho. Faço esta declaração agora porque estou impressionada com a quantidade de pessoas que me procuram e falam: “estão dizendo que você é a favor do aborto”. São as eleições! Estas eleições serão de um nível muito baixo. Deveríamos discutir a situação das pessoas que vivem na nossa cidade, as propostas para nossos problemas. Mas o que vemos? Alguns pré-candidatos têm se dedicado, apesar do tamanho dos problemas que vivemos, a inventar mentiras sobre os possíveis opositores. Essa é uma delas. Sou a favor da vida! Lutar pelos direitos das mulheres não me obriga a ser favorável ao aborto. Os movimentos de mulheres são muitos. Faço parte daquelas que não são favoráveis ao aborto. Mas, também, não fecho os olhos para a situação existente em nosso país.
E esse olhar exige que algo seja feito. Porque o aborto existe? Existe para quem tem dinheiro e paga clínicas para fazê-lo. E existe também para mais de um milhão de mulheres pobres que recorrem ao aborto de fundo de quintal e morrem ou sofrem sequelas por aborto neste país. Não podemos fechar os olhos para isso. Quem recorre a esse recurso? São vítimas de estupro, mulheres abandonadas à própria sorte, sem orientação adequada. É muita gente, e isso não pode ficar assim. Sou a favor de todas as vidas! Porque sou Cristã e detesto todo tipo de pré-julgamento, pré-conceito. Aprendi na Bíblia. Faço parte daqueles que não conseguem ficar indiferentes à esta situação. Não me conformo com o fato de perdermos as vidas das crianças, nem dessas mulheres que têm as vidas ceifadas ou mutiladas.
Atendi mulheres vítimas de violência durante mais de vinte anos, posso afirmar que nunca vi, entre elas, uma só que não sofresse apenas em considerar a possibilidade de um aborto. A propósito, as mulheres estão morrendo vítimas de violência todos os dias, meninas são estupradas.
O mapa da violência recentemente divulgado mostra o crescimento da violência contra as mulheres negras. É absurdo que no século XXI ainda tenhamos que presenciar o aumento desse tipo de violência. Nesta semana fizemos junto com o Conselho Municipal das mulheres um debate sobre planejamento familiar. Nosso município está com muita dificuldade em garantir às mulheres e homens a realização de laqueadura e vasectomia para os quais existe uma fila que ainda não conseguimos dimensionar por falta de informação. Sem falar em política de prevenção para que nossas jovens tenham acesso à informação sobre todos os métodos contraceptivos e não vejam apenas em medidas tão definitivas a solução para a gravidez. O caminho é esse: dotar as mulheres, desde garotas, de conhecimento sobre as alternativas e cobrar do Estado a garantia das políticas. Tenho lutado para estabelecer políticas efetivas para as mulheres há muito tempo, e com essa luta conquistamos coisas muito importantes, como a Casa Abrigo. Algumas, sofrendo retrocesso, como o Centro de Referência que agora funciona meio período. E a eterna luta pela adequada estrutura e o funcionamento 24 horas das Delegacias de Mulheres que mais uma vez vamos levar para a Conferência das Mulheres. Ao longo dos anos temos tentado mostrar aos prefeitos e gestores que a violência não tem hora para acontecer. Para aqueles que pretendem ocupar lugar no poder publico seria muito bem-vinda a atitude de se dedicarem a saber quanto a ausência de uma adequada política de planejamento familiar custa ao desenvolvimento da cidade, quanto afeta os custos do poder público, quanto afeta a qualidade de vida do município. Nos dediquemos a construir ideias e propostas porque, destruir pessoas não é um bom atributo para um gestor público. Se alguém te procurar para falar sobre isso, por favor, responda: é mentira!! E pergunte quais suas propostas. Você estará cumprindo um belo serviço para a democracia!
* Vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de Araraquara
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