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Precarização do trabalho em instituições bancárias é debatida em Audiência Pública

Discussões foram conduzidas pelo vereador Alcindo Sabino (PT); evento reuniu na Câmara Municipal representantes de sindicatos, federações e funcionários da categoria

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Fechamento de agências bancárias, salários reduzidos e contratação de funcionários terceirizados foram alguns dos assuntos debatidos na Audiência Pública realizada na Câmara na noite de quinta-feira (3).

 

O encontro foi organizado pelo vereador Alcindo Sabino (PT) e reuniu no Plenário da Casa de Leis representantes de sindicatos e federações da categoria que, juntamente com trabalhadores de bancos e instituições financeiras, debateram a situação do setor, que, nos últimos anos, vivencia a redução de postos de trabalho em todo o Brasil.

 

“Há uma urgência de fortalecer o debate público sobre as condições de trabalho no Brasil, não só da questão das empresas do ramo financeiro, mas também, do cenário crescente que nós estamos vivendo, esses processos de terceirização, a informalidade e a perda de direitos trabalhistas”, justificou Alcindo.

 

De acordo com Ana Lucia Ramos Pinto, secretária-geral da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Fetec), a precarização das relações laborais não atinge apenas os bancários, mas toda a sociedade. “Se as pessoas deixam de comprar, isso vai gerar um encadeamento de desemprego e, se gera menos compras no comércio, vai gerar um imposto menor. Infelizmente, a arrecadação [do Município] acaba reduzindo também.”

 

Fechamento de agências e salários menores

Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva, declarou que na região de Catanduva (SP) nove agências do banco Santander tiveram as atividades encerradas entre os anos de 2024 e 2025, deixando algumas cidades menores sem nenhum espaço para atendimento presencial dos clientes, que são obrigadas a recorrer aos aplicativos de celulares ou centrais telefônicas.

 

Outro fato apontado pelo presidente é a demissão dos bancários com mais tempo de empresa para a contratação de outras pessoas com remunerações menores, complementadas por comissões quando atingem as metas estabelecidas com a venda de produtos financeiros. Ele relatou o caso em que um terceirizado de uma das empresas do grupo Santander teria um piso salarial de R$ 1.700, enquanto a categoria dos bancários recebe quase R$ 3.000 mensalmente.

 

“O terceirizado, com o salário menor, tem o INSS menor e não vai se aposentar bem, enquanto um bancário, com um piso de maior qualidade, pode ter uma aposentadoria melhor. Outro ponto é o recolhimento menor do FGTS, que impacta na hora da aposentadoria ou de uma demissão”, lembrou Vicentim.

 

Depois foi a vez de Paulo Roberto Redondo, presidente do Sindicato dos Bancários de Araraquara, trazer suas considerações. Ele destacou a importância da união da categoria pela manutenção dos empregos, cada vez mais ameaçados por processos de terceirização unilaterais. “Ao abrir espaço para que os trabalhadores sejam ouvidos, ampliamos nossa mobilização e deixamos claro que não permitiremos que direitos sejam retirados. Não abriremos mão de lutar pelos trabalhadores e pelo direito de representá-los.”

 

Saúde mental e Moção de Repúdio

Em seguida, o público presente no Plenário se manifestou a respeito das incertezas vividas por colaboradores do setor financeiro, que não apenas sofrem pelas perdas econômicas, mas também adoecem, pressionados por atingimento de metas e produtividade.

 

“Hoje nós temos um alto índice de adoecimento psíquico na categoria bancária. Nós somos a terceira categoria com maior índice de afastamentos pelo INSS por transtornos psíquicos”, declarou Rosângela Lorenzetti.

 

Paulo Vicente Fernandes, dirigente do Sindicato dos Bancários de Araraquara, leu a Moção de Repúdio ao Banco Santander, proposta por Alcindo e aprovada pelos vereadores presentes na Sessão Ordinária realizada em 17 de junho, na qual o parlamentar se manifestou contrariamente às ações de terceirização implementadas pela instituição financeira.

 

Após encerramento das discussões, Alcindo demonstrou preocupação com a possibilidade do fechamento da agência bancária localizada no Paço Municipal, depois de ter ouvido durante a audiência o relato de um fato acontecido na região de Limeira que poderia se repetir em Araraquara.

 

“Tem uma questão que foi colocada aqui também, é sobre a agência do Santander, que está localizada no prédio da Prefeitura e me parece que eles estão querendo tirar mais essa agência. Então, a gente vai fazer um requerimento para ver como se deu esse contrato e permitir que essa agência permaneça lá”, explicou o vereador.

 

Para ver e ver

A Audiência Pública foi transmitida ao vivo pelo canal 17 da Claro e pode ser assistida, na íntegra, pelo Facebook e YouTube da TV Câmara.


Publicado em: 04 de julho de 2025

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Categoria: Câmara

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